Todas essas histórias que ficaram pelo caminho ainda me atormentam antes de dormir. Fico pensando no fim que poderiam ter tido caso ambas as partes tivessem continuado, lutado, sem terem desistido na primeira oportunidade. Tanta gente legal me dando bola, e eu fazendo gol contra, jogando para escanteio. Eu sempre querendo entrar onde não caibo, negligenciando as placas de "não ultrapasse" e me arrependendo, tentando voltar no passado e fazer tudo diferente. Colocando expectativas altíssimas em personagens recém-descobertos e desvalorizando as prováveis boas escolhas. Eu sei, eu deveria esquecer e achar que tudo está no seu devido lugar, que as coisas deveriam ter ocorrido dessa forma, que eu estou procurando motivos para explicações que, na verdade, são assim mesmo, sem respostas propriamente ditas. Mas não dá para deixar de imaginar como teria sido se eu tivesse insistido um pouco mais. Como seria se eu não tivesse deixado outra pessoa tentar no meu lugar. E pior, assistir a felicidade dela sem imaginar que ali, ao invés daquele cara, poderia ter sido eu. Em certas situações, eu admito que agi de forma correta, de acordo com o que a minha integridade manda. Em outras, nem tanto, desisti por medo de encontrar aquilo que tanto procurava, desisti por medo de estragar tudo. Antecipação é outro dos meus problemas. O certo também assusta. Eu sei, eu deixei algumas pessoas sem resposta. Sentei no canto da parede e abracei as pernas, quando deveria ter explanado tudo pessoalmente. Mas ninguém entenderia os meus motivos, porque não existiam motivos claramente embasados. Era só medo. E continua sendo medo. É como se eu gostasse de me machucar, e por isso, só tento arremessar argolas onde não há espaço para acertar. Como se algo que começasse errado pudesse dar certo lá na frente, só para que eu escrevesse uma história bonita, dizer que a minha vida não é feita de histórias previsíveis. Nessa de querer apostar em amores cinematográficos, eu continuo aos tropeços. Trazer essa criatividade hollywoodiana para a vida real tem seu preço e eu paguei caro por cada um deles. Enquanto que no filme, um casal se conhece no supermercado e terminam juntos quando sobem os créditos, na vida real você termina sendo o amante sem sequer saber disso. Uma coisa é certa: a vida não imita a arte.
sábado, 17 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Namoro a distância. #1
A gente se falava todos os dias, se amava quase que toda
hora, Ana, minha ruína era tua calma. Deitados na minha cama de solteiro, você
não queria mais me deixar, eu não queria mais te largar. Eu te entendia como
Einstein entendeu a ciência, e eu tinha absoluta certeza que Deus tinha te
criado para ser minha. Ana, Ana, eu gritava teu nome baixinho debaixo dos
lençóis, e tua pele tão macia colada na minha, arrepiava os meus sentidos
quando me beijava a nuca. Eu nunca vou te esquecer, sabia? Deixastes a cidade
há mais de um mês, e ainda sinto teu perfume por toda a avenida, aquela que
costumávamos sentar e contar os carros que estavam prestes a capotar. Chupava
os dedos melados de sorvete de limão, e eu me dava inteiro como água pra você
saciar sua sede. Você gostava das mesmas coisas que eu. Separávamos toda a
cebola que víamos misturada ao macarrão, detestávamos carne de fígado, dias
ensolarados, domingos, e se pudéssemos nunca colocaríamos outra roupa se não
nossos pijamas surrados. Terror, romance, mas nada de tiroteio. E todo dia eu
me pergunto o que estaríamos fazendo se você não tivesse partido. Ana, o
presente agora é tão sem graça. E o futuro nunca foi tão esperado. Eu confio em
você aí longe de mim, porque como você mesma me disse uma vez: não há ninguém
como nós dois no mundo. E eu acredito nisso, e eu acredito em você, porque você,
diferente de todas as outras que já conheci, nunca mentiria. Vi no jornal que
aí chove pra caramba. Fica mais fácil não fica? Aqui não chove muito, mas eu
quase não saio, o cinema sem você me faz cochilar, é estranho não ouvir você
sussurrando no meu ouvido. Será que um dia a gente ainda vai conseguir terminar
um daqueles sacos enormes de pipoca? Meu tempo está um pouco corrido, ainda não
terminei minha monografia, por isso a carta vai acabar ficando curtinha mesmo,
assim você não cansa ao ler, né? Saudade da tua preguiça. Me escreve o mais
rápido que for possível.
Com amor, Bruno.
domingo, 11 de novembro de 2012
Rompimento.
Não consigo escrever nada agora. Está tudo tão recente, tão em carne viva, que simplesmente não sai nenhuma palavra que seja. De raiva, de amor, de saudade, de desespero, de dúvida. A porta recém batida. A chave ainda caída no mesmo lugar. Eu aqui no sofá, e você lá fora. Eu costumava saber por onde você andava, e agora não faço a menor ideia. Não faço a menor ideia de quem te acompanha na rua, se está só, se já jantou ou se está apenas dormindo, com a cabeça enfiada entre os travesseiros. Agora, eu não penso em nada. Não lamento, não derramo uma lágrima, mas soa como se a rotina inteira tivesse sido mudada, se os móveis não fossem mais minha cara. A cor da parede, os lençóis, a pia do banheiro. É como se não fizesse mais sentido. Uma palavra de raiva: droga. Arremesso o vaso contra a parede. Os vidros se espalham pelo chão. Como nós dois em um rompimento brusco, inesperado, da noite pro dia. Fácil, rápido, em poucos minutos. Aos poucos, o que estava embaralhado vai tomando um rumo. Eu sei que quando a saudade apertar, eu vou tentar discar o teu telefone, por isso é melhor que eu o apague antes que eu venha a memorizá-lo. Já vou providenciar a troca da fechadura, no caso de você tentar voltar. Eu avisei, se você saísse por aquela porta, eu não abriria ela novamente. E você foi, como se já viesse ensaiando essa saída há semanas. Não há dúvida de que todo rompimento dói. Não sei exatamente quando vai parar de doer, quando eu vou me acostumar com essa rotina nova. Certamente, irei demorar um pouco para reajustar meu relógio biológico. O primeiro passo é não colocar mais o despertador para tocar às sete, que era quando você precisava levantar para trabalhar dali uma hora. O segundo passo é não me importar mais em checar meu celular de minuto em minuto, para ver se alguma mensagem ou ligação havia passado despercebida. O resto, sinceramente, eu não sei. Não existe protocolo para esquecer alguém. Infelizmente, não há manual. Terceiro, quarto, quinto passo... não importa. O importante é continuar andando.
A última rodada.
Cava, cava, antes que seja tarde demais. Agarra na mão do primeiro que te oferecer o lugar pra sentar no ônibus. Aceite carona de estranhos, agora não vale mais conselho de mãe. São os últimos minutos, a última rodada, só restam mais duas garrafas de vodka no freezer. O fim do mundo está próximo, menos de dois meses. Troque cem por meia dúzia, se reduza. Suja tua calça branca na lama, o ano novo se aproxima. Saia de casa, de segunda à domingo. Não, a hora de ser romântico já passou, agora não dá mais tempo para comprar flores, o táxi tem pressa. Não é mais permitido escolher demais, qualquer tiro que acerte o alvo já é suficiente. Pouco importa se ele gosta de filmes, ou ela prefere a cor azul. Tira o cinto da calça e manda ver. Nomes depois. Telefones, melhor não. O tempo corre, não espera, ele está bem, não precisa esperá-lo rodar a chave e abrir o portão. Essa preocupação é desnecessária, satisfazer o desejo sexual é o que importa. Foco. Não, você não quer saber se ela se importa. Não perca tempo explicando que você não é pra vida toda, que é coisa de momento, pra ser mais exato, coisa de cinco minutos. Não precisa dizer pra ele não te cumprimentar quando se esbarrar contigo, ele vai entender, uma hora ou outra. Minta se for necessário, se for para chegar onde você quer. Nos classificados do dia seguinte, um desabafo de uma assalariada: alega seriedade durante o dia, e de noite pede pra ser chamada de puta. Quer girar a roleta mais uma vez? Não, eu definitivamente estou fora do jogo.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Ação e reação.
Eu sempre costumo retribuir aquilo que me é oferecido. Abraços, afagos, carinhos, beijos, ombros, apertos de mão, e todo o resto. Amor, amor nem tanto, admito: nem sempre consigo ser recíproco. É do direito dos outros não corresponder aos meus sentimentos, logo, também é um direito meu deixá-los a míngua. Nem sempre costumo ser correto, agir conforme o planejado, ser cem por cento honesto. Tanto comigo, quanto com os outros. Já olhei meu telefone tocar várias e várias vezes, e ignorar. Eu poderia ter atendido e explicado que não daríamos certo, que tinha sido apenas uma noite de carência e nada além daquilo. Por medo de ser incompreendido, chamado de confuso, preferi ouvir as chamadas e fingir que não estava em casa. Eu poderia acabar com aquilo de forma rápida, mas faltava coragem. Já disse coisas que eu não sentia, mais uma vez, por covardia, por não conseguir ser sincero o suficiente para interromper um beijo com um "é melhor você ir embora". Quando ignorei, menti, e fingi, percebi que eu havia feito exatamente aquilo que fizeram comigo no passado. Entendi o motivo das minhas ligações nunca serem atendidas, os primeiros encontros que, ao meu ver, pareciam ir exatamente da forma como eu esperava, porém, no dia seguinte, se afogavam ainda em formação. Durante a vida, ainda iremos agir como uma dessas pessoas que costumamos criticar e dizer que não é um modelo a ser seguido. Ainda estaremos do lado oposto da moeda. Cruzaremos aquela linha que juramos de pé junto, que jamais cruzaríamos. Nos colocaremos na pele do lobo, e na pele do cordeiro. Agiremos como bons rapazes, e belas vagabundas. Diremos que o amor não vale nada, e no dia seguinte, acordaremos com uma vontade de amar o primeiro que pedir licença na fila do banco. A vida é como desferir golpes em um saco de areia: um dia você bate e no outro é atingido.
domingo, 28 de outubro de 2012
Quando o "nós" se tornou apenas "eu".
Virando o apartamento do avesso. Limpando cuidadosamente cada pedaço. Cada cantinho da parede. Tentando tirar a mancha de vinho derrubada no nosso último jantar. Os pratos, todos enfileirados em cima do balcão. Sujos. Serviço inacabado, como eu e você. Vinha ignorando, atravessando a sala rapidamente. Sem dar tempo suficiente para lembrar. Não sei de onde veio tudo isso. A insegurança, a vontade de não continuar. Não sei se você conheceu alguém, se sabe de algo que eu não sei, ou se apenas deu o que tinha que dar. Eu vinha deixando pra lá. Sempre adiando lavar os lençóis, encaixotar as poucas coisas que você esqueceu. Pasta de dente, escova de cabelo, um par de meias e o relógio que eu te dei de presente. De repente, não havia ninguém me acordando aos beijos. Ninguém dando bronca por ter deixado, mais uma vez, a toalha molhada em cima da cama. Uma xícara, um prato, uma taça. De um dia para o outro, voltei a ser eu. O "nós" havia saído pela porta há poucos dias atrás. Decidi que não deveria mais lamentar. A única saída era que não tinha saída alguma, a não ser seguir em frente. Lavei os pratos, coloquei seus pertences em uma caixa, e essa caixa atrás de uma porta com outras coisas velhas. Coisas que não tinham mais uso, como você. Objetos que foram esquecidos. Que não servem mais para nada. Que um dia foram importantes, e hoje só estavam ali para fazer volume. Passou um mês, e eu ainda não tinha esquecido. Decidi que era hora de sair. De sair daquele apartamento, de tentar respirar qualquer coisa que não fosse saudade. A dois quarterões dali, te reconheci jantando em um restaurante que costumávamos ir. Você não estava sozinho, e muito menos, parecia estar triste. Ver que eu me importava demais, me deixou extremamente irritado.Agora eu sabia exatamente o porque de você ter ido embora. O que eu sentia por você não era mais saudade, era ódio. Como do sólido ao gasoso, eu só precisava de mais algumas horas até que a raiva se dissipasse no ar. No dia seguinte, joguei a toalha molhada na cama de propósito, e pela primeira vez depois de um ano, foi bom não ouvir alguém reclamar.
sábado, 27 de outubro de 2012
Um é pouco, dois é bom. E três, é demais?
Para algumas, não. Fazer sexo a três é uma das fantasias mais frequentes nos relacionamentos atuais. Acostumado com a monogamia, confesso que essa ideia chega a me assustar um pouco. Não que eu não faria, mas nunca tinha parado para pensar nessa hipótese. Além de uma mente aberta, é necessário que haja bastante cuidado quando se opta por realizar um desejo envolvendo uma terceira pessoa. Como separar o carnal do emocional? Sexo é uma coisa tão íntima, que eu não consigo acreditar que isso - futuramente - não vá afetar a relação do casal. Será que essa procura é gerada apenas por fetiche, ou existe uma falha no relacionamento que precisa ser reparada? É possível transar com alguém sem se envolver emocionalmente? Para essa última pergunta, eu sei que a maioria vai dizer que sim, inclusive eu. O problema, na minha opinião, não é matar a curiosidade, é essa curiosidade se transformar em uma tarefa rotineira. Virar necessidade. É preciso muita, muita maturidade de ambas as partes. Definir limites. Se o desejo for conjunto, não vejo nenhum problema. Mas se um dos dois não suporta nem ouvir essa ideia, o casal precisa entrar em consenso ou romper. Há dezenas de pessoas por aí que pensam como você. Não tente fazer algo que você não gosta, só para realizar uma fantasia que não é sua, só para que ele ou ela não termine com você. Ceda até onde você acha que consegue, se perceber que a corda está prestes a quebrar, solte, desista. Ultrapassar seus próprios ideais é irreversível. No final das contas, quem sai prejudicado é você.
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